O que é e como deve ser feito um ensaio ?
Na sequência de algumas trocas de msgs e por sugestão da Rita segue a seguinte publicação sobre o tema música/ensaio.
O seguinte exposto tenta analisar o estado actual e descrever a minha visão concreta sobre qual o caminho que acredito que o grupo deva seguir.
Para que todos saibam onde estamos e para onde queremos ir em termos musicais, é imperativo que todos se manifestem sobre o que é para vocês um ensaio e como è que este deverá ser feito.
Análise
Considerando o último ensaio ficou evidente a existência de diferentes idealizações sobre como levar a cabo um ensaio e qual o objectivo pretendido deste. Uma das questões base é - Até que ponto é que devemos seguir o original?
Ao se tirar/ensaiar uma música, existe sempre a situação de a música ser interpretada de forma diferente por cada um. Isto porque se está habituado(a) a cantar/tocar de uma certa forma ou porque se tem uma diferente interpretação ou até por desconhecimento total do original. Para que seja possível a conciliação de todos numa só versão, fica claro que em algum ponto da música cada um terá que (re)aprender e aceitar algo diferente devido às diferentes interpretações de cada um..
Aplicando o espírito de grupo a que já estamos habituados, ou seja, qualquer produto de uma reunião/ensaio deverá ser fruto da opinião de todos, dá como resultado final uma música com letra igual ao original mas inevitavelmente com melodia e instrumental diferente.
Opinião
Embora subscreva totalmente este espírito, para o caso de tirar músicas não sou totalmente a favor já que:
- Implica discussões nos ensaios até que se chegue a um consenso.
- Provoca "mal estar" pois nem sempre é facil aceitar que a sua versão não vá avante
- Necessita de tempo extra para a discussão ficando pouco tempo efectivo para ensaiar
- Nem sempre a versão mais "confortável" se traduz em sinónimo de qualidade
- Torna difícil a junção com o grupo das 12 e outros
Assim, considero que: desde que se reconheca a qualidade de um original (como por exemplo o sdpj-A tua palavra) qualquer "criação" diferente do original deverá ser tanto quanto possível evitada. Claro que será impossível tocar/cantar tudo exactamente igual mas vejo esta abordagem como o caminho certo para melhorarmos a qualidade do ensaio e do grupo ao nível musical. - Não é este o objectivo comum?
Veja-se por exemplo o caso do hino diocesano ou oração de S. Francisco que são exemplos daquilo que somos capazes desde que estejamos dispostos a isso! Estou certo que a partir do momento em que todos passarem a ouvirem o original em casa os ensaios passeriam a servir essencialmente para tirar dúvidas (face ao original) e a treinar efectivamente a música. A existencia de algumas "frustrações" não serão resultado da falta deste trabalho prévio? Ultrapassando isto acredito que poderiamos ter ensaios bem "mais agradáveis" com menores discussões e no final poderíamos conseguir um aumento da qualidade do conjunto que só é mesmo possível com a contribuição e alinhamento de todos.
Outras vozes
As 2 e/ou 3as vozes são das partes mais difíceis de tirar/cantar já que tipicamente tem uma melodia muito diferente da melodia principal. No entanto, acho que todos reconhecemos que o efeito final é sem duvida sinónimo de qualidade. Veja-se por exemplo o John que consegue tornar as 2as vozes em algo natural e com resultado muito bonito.
Porque não deveremos nós todos também tentar melhorar este ponto?
Temos já alguns exemplos como o aleluia (onde chegamos à 3a), Hino Diocesano, Oração S Francisco e outros. Contudo para melhorar é necessário estarmos mais uma vez dispostos a aceitar este desafio. Sei perfeitamente que é "contra natura" e a vontade de a cantar é mínima mas não será isso apenas um sentimento/resistência inicial? (como dizia o Fernando Pessoa: 1º estranha-se e depois entranha-se!". Acredito que este "sacrifício" individual se irá traduzir numa melhoria exponencial do conjunto. Assim, tirando o facto de que em algumas situações que as teremos que as inviabílizar devido ao reduzido número de pessoas, para as outras situações acho que valia mesmo a pena tentar...
Resumo
É importante que em termos musicais se tenha consciência do que se pretende e até que ponto é que cada um está disposto a ir. Para que o coro funcione é mandatorio que estejamos todos alinhados pois não dá para cada um cantar uma versão diferente...
Esclarecimento
Do meu lado, gostaria ainda de esclarecer que nos ensaios o que aparenta ser a "minha versão", esta não é mais do que a "versão do original". Pois tenho seguido a indicação de "tirar" a música a partir dos mp3 que me foram facultados para o efeito e que eu próprio subcrevo como o método mais acertivo. (Nota - Não será antes a "minha versão" e não a "nossa versão" devido ao facto de não termos preparado a musica anteriormente?)
Não existe também qualquer intenção de imposição da minha parte pois tinha a percepção errada que não iria estar em questão alterações intencionais ao original. Daqui a minha conduta de correcção/orientação...(Nota- Não será que queremos alterar devido ao facto de não termos ideia correcta do que é o Original e o importante é que todos opinemos segundo o espirito de grupo?)
Fico assim a aguardar a opinião de cada um sobre efectivamente o que é um ensaio e como é que este deva ser feito.
Beijinhos e abraços,
Valdemar
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